Polo Petroquímico de Triunfo na mira da Lava Jato
Ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto foi citado
em depoimentos de ex-empresários da Odebrecht (Foto: Divulgação)
Dois ex-executivos da Odebrecht afirmaram a investigadores da Operação Lava Jato
que o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto teria se mostrado
"bastante receptivo"
a conversar com representantes da empreiteira sobre investimentos
para a duplicação do Polo Petroquímico de Triunfo, na Região Metropolitana de
Porto Alegre.Rigotto consta na lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, que solicita investigação pela Procuradoria-Geral da República a partir de delações de ex-executivos da Odebrecht.Doações de R$ 200 mil para campanhas Os dois delatores são Alexandrino de Salles
Ramos de Alencar e Pedro Augusto Ribeiro Novis. Segundo o Ministério Público, a Odebrecht
e a Braskem, que é o braço da empreiteira baiana que atua no setor petroquímico, teriam
doado R$ 200 mil para campanhas de Germano Rigotto.Em 2006, quando o político
tentou a reeleição ao governo do estado, teria recebido R$ 100 mil.
Conforme o ex-executivo Novis, a doação teria ocorrido de "forma legal".Já em 2010, quando
Rigotto concorreu a uma vaga no Senado, foram repassados outros R$ 100 mil. O valor seria proveniente de doações da Braskem entre 2002 e 2006. Em depoimento, Alexandrino de Alencar afirmou que os R$ 100 mil foram doados "via caixa 2". O valor, ainda segundo o empresário, seria superior ao estabelecido pela empresa para candidatos ao Senado."Essa doação foi acima do estabelecido, eu não me recordo, não me lembro quanto era estabelecido para o Senado,
mas acho que era R$ 70 mil a R$ 80 mil, e nós demos R$ 100 mil pelo relacionamento
que tínhamos com ele, com o trabalho dele, e pela proximidade que se tinha com
o grupo demos R$ 100 mil via caixa 2."Cargo após perder reeleiçãoApós perder o pleito
de 2006 e ver Yeda Crussius assumir como governadora do Rio Grande do Sul, Rigotto
teria procurado a Braskem. A ele, foi oferecido um cargo de consultoria na empresa."
O deputado não conseguiu se eleger a governador e ele nos procurou.
Aí eu já não estava mais na Braskem,e a Braskem o contratou como
consultor principalmente por esse viés que ele tinha da questão tributária para
ajudar com políticas nacionais na questão tributária", disse Alexandrino de Alencar.
Alencar disse que reconhecia o pagamento ao ex-governador, já que nas
planilhas ele é identificado como "desesperado".Critérios para doaçãoDe acordo
com a delação do ex-executivo Pedro Augusto Ribeiro Novis, o critério que
motivava as doações era a expectativa de atendimento de programas
importantes para a Braskem no estado. Um exemplo citado por ele é a questão fiscal.
"A questão do ICMS... Havia a expectativa que, uma vez apoiados, esses governadores nos ajudassem.Havia também muita demanda por obras de infraestrutura
nos dois polos [Rio Grande do Sul e Bahia]", diz Novis.
Para a RBS TV, Germano Rigotto informou que não foi comunicado e que
desconhece as acusações.
Informou ainda que os recursos recebidos da Odebrecht foram feitos por
meio de doações legais.

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