Casa e comida podem virar salário de trabalhador rural com reforma

Comissão analisará texto que traz ainda possibilidade de jornada intermitente, de até 12 horas e venda integral das férias Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Projeto de lei do governo Temer apresenta alterações nas regras para o assalariado do campo.

Depois de revisadas as regras para o trabalhador urbano, o governo federal iniciará agora ofensiva para mexer nos parâmetros da atividade no meio rural. E o que está previsto no texto apresentado vem causando arrepios em entidades do setor. As restrições impostas, do ponto de vista dos assalariados, são tantas que há quem ironize que a próxima a ser revogada será a Lei Áurea.
Um dos pontos mais polêmicos é o que prevê a possibilidade de remuneração de qualquer espécie e não em dinheiro. Na prática, o trabalhador do campo poderia ser pago com casa e comida, por exemplo.
— A proposta é mais restritiva em relação à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e à reforma trabalhista aprovada na semana passada. É como se criasse uma CLT rural. Se deixa a igualdade para trás e se tomam regras mais severas para o trabalhador rural — avalia a advogada Jane Berwanger.
Leia mais:
Reforma trabalhista: entenda as principais mudançasComo votaram os deputados gaúchos sobre o texto-base da reforma trabalhistaReforma da Previdência: entenda as principais mudanças da propostaOutras questões também trazem preocupação. É o caso da possibilidade da jornada intermitente e da permissão para que sejam feitas até 12 horas diárias, em uma função extremamente penosa, argumenta Jane. Também se permitiria o trabalho aos domingos e feriados e a venda integral das férias (hoje, pode ser negociado apenas um terço).Não por acaso, a Federação dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais do Rio Grande do Sul (Fetar-RS) tem se engajado nas mobilizações contra as reformas.— O Estado de direito está sendo reduzido de tal forma que nos remeterá a antes da Constituição de 1988. Vamos voltar a uma era que já passou — opina Nelson Wild, presidente da Fetar-RS.A comissão especial criada para avaliar o projeto de lei 6442/2016 foi formada, mas ainda não está funcionando porque muitos partidos não haviam indicado representantes. A análise da proposta, no entanto, deverá começar a ser feita em breve.


FONTE:http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/gisele-loeblein/noticia/2017/05/casa-e-comida-podem-virar-salario-de-trabalhador-rural-com-reforma-9785055.html

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